Tabela Regressiva do IR: como funciona e estratégias para pagar menos imposto
A tabela regressiva do Imposto de Renda em renda fixa reduz a alíquota com o tempo: de 22,5% em até 180 dias para 15% em mais de 720 dias. Com exemplos numéricos e tabela IOF.
Resposta curta: Na tabela regressiva, quanto mais tempo você mantém o investimento, menos IR paga. De 22,5% para resgates em até 180 dias, até 15% para mais de 720 dias. A diferença de alíquota pode representar centenas de reais em investimentos maiores.
A tabela regressiva do IR
A tabela regressiva é o sistema de tributação do Imposto de Renda aplicado a investimentos de renda fixa no Brasil. Ela funciona ao contrário do nome pode sugerir: a alíquota regride (diminui) conforme o prazo aumenta.
| Prazo de aplicação | Alíquota IR |
|---|---|
| 0 a 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20,0% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Mais de 720 dias | 15,0% |
Os prazos são contados em dias corridos (calendário) a partir da data de aplicação.
Por que a tabela é regressiva?
O governo usa a tabela regressiva como incentivo para que os investidores mantenham o dinheiro aplicado por prazos mais longos. Aplicações de curto prazo (dinheiro que entra e sai rapidamente) são penalizadas com alíquota maior (22,5%). Já quem mantém o investimento por mais de 2 anos é premiado com a alíquota mínima de 15%.
Quais investimentos seguem a tabela regressiva?
Seguem a tabela regressiva:
- CDB (Certificado de Depósito Bancário)
- Tesouro Direto (Selic, IPCA+, Prefixado)
- LC (Letra de Câmbio)
- LF (Letra Financeira)
- Fundos de Renda Fixa e Multimercado (exceto fundos de ações)
- Debêntures comuns
Não seguem (isentos ou alíquotas diferentes):
- LCI, LCA, Poupança → isentos de IR
- CRI, CRA (de securitizadoras) → isentos
- Debêntures incentivadas → isentos
- Fundos de ações → alíquota fixa de 15% no resgate (sem tabela regressiva, sem come-cotas)
Impacto da tabela regressiva: exemplos numéricos
Exemplo 1: R$ 10.000 a 14,65% a.a.
| Prazo | Rendimento bruto | IR | Rendimento líquido |
|---|---|---|---|
| 6 meses | R$ 716 | R$ 161 (22,5%) | R$ 555 |
| 12 meses | R$ 1.465 | R$ 256 (17,5%) | R$ 1.209 |
| 24 meses | R$ 3.134 | R$ 470 (15%) | R$ 2.664 |
| 36 meses | R$ 5.032 | R$ 755 (15%) | R$ 4.277 |
Exemplo 2: R$ 50.000 a 14,65% a.a. (diferença de alíquota)
| Prazo | Rendimento bruto | IR | Rendimento líquido |
|---|---|---|---|
| 6 meses | R$ 3.581 | R$ 806 (22,5%) | R$ 2.775 |
| 12 meses | R$ 7.325 | R$ 1.282 (17,5%) | R$ 6.043 |
| 24 meses | R$ 15.672 | R$ 2.351 (15%) | R$ 13.321 |
| 36 meses | R$ 25.160 | R$ 3.774 (15%) | R$ 21.386 |
Cálculos aproximados, sem aportes mensais.
IOF regressivo: o imposto de curto prazo
Além do IR, existe outro tributo que pode reduzir seu rendimento em resgates de curto prazo: o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ele incide apenas nos primeiros 30 dias de aplicação e é calculado sobre o rendimento bruto.
Tabela IOF regressiva (30 dias)
| Dia do resgate | Alíquota IOF | Dia do resgate | Alíquota IOF |
|---|---|---|---|
| Dia 1 | 96% | Dia 16 | 46% |
| Dia 2 | 93% | Dia 17 | 43% |
| Dia 3 | 90% | Dia 18 | 40% |
| Dia 4 | 86% | Dia 19 | 36% |
| Dia 5 | 83% | Dia 20 | 33% |
| Dia 6 | 80% | Dia 21 | 30% |
| Dia 7 | 76% | Dia 22 | 26% |
| Dia 8 | 73% | Dia 23 | 23% |
| Dia 9 | 70% | Dia 24 | 20% |
| Dia 10 | 66% | Dia 25 | 16% |
| Dia 11 | 63% | Dia 26 | 13% |
| Dia 12 | 60% | Dia 27 | 10% |
| Dia 13 | 56% | Dia 28 | 6% |
| Dia 14 | 53% | Dia 29 | 3% |
| Dia 15 | 50% | Dia 30 | 0% |
A partir do 31º dia, o IOF é zero.
Exemplo prático: R$ 10.000 aplicados num CDB a 14,65% a.a. e resgatados no 7º dia:
- Rendimento bruto nos 7 dias: ≈ R$ 26,40
- IOF (76% do rendimento): R$ 20,06
- IR (22,5% sobre R$ 6,34): R$ 1,43
- Rendimento líquido: R$ 4,91 (quase zero!)
Moral: nunca resgate renda fixa antes de 30 dias, a menos que seja emergência. O IOF destrói praticamente todo o rendimento dos primeiros dias.
Como calcular o IR com a tabela regressiva?
Passo a passo:
- Determine o prazo em dias corridos desde a aplicação
- Identifique a alíquota na tabela acima
- Calcule o rendimento bruto: Valor Final - Valor Investido
- Subtraia o IOF (se resgate em até 30 dias): Rendimento após IOF = Rendimento Bruto - IOF
- Aplique o IR: IR = Rendimento após IOF × Alíquota
Fórmula:
IR = (Valor Final - Valor Investido - IOF) × Alíquota
Valor Líquido = Valor Final - IOF - IR
Estratégias para minimizar o IR
1. Espere 721 dias para atingir a alíquota mínima de 15%
A maior economia acontece ao cruzar o limiar de 720 dias. Se você está próximo desse prazo, pode valer a pena aguardar mais alguns dias para pagar 15% em vez de 17,5%.
Exemplo: R$ 50.000 com rendimento bruto de R$ 15.000 no dia 719:
- IR a 17,5%: R$ 2.625
- IR a 15% (aguardar até dia 721): R$ 2.250
- Economia esperando 2 dias: R$ 375
2. Prefira LCI/LCA para prazos de 12-24 meses
Para prazos onde o IR seria 17,5%, uma LCI a 90% CDI pode superar um CDB a 110% CDI:
- CDB 110% CDI, 12 meses: líquido ≈ 110% × (1 - 17,5%) = 90,75% CDI
- LCI 90% CDI: líquido = 90% CDI (sem IR)
Neste cenário, o CDB ainda vence por pequena margem — mas uma LCI a 92% CDI já empata.
3. Para prazos longos (>2 anos), o CDB melhora
Com alíquota de 15%, um CDB a 110% CDI tem taxa líquida de 110% × (1 - 15%) = 93,5% CDI, superando a maioria das LCIs disponíveis no mercado.
4. Evite resgatar antes de 181 dias
A maior queda de alíquota (2,5 pontos percentuais) ocorre entre os dias 180 e 181. Se precisar resgatar com menos de 6 meses de aplicação, tente aguardar até o 181º dia.
Tabela regressiva vs tabela progressiva
A renda fixa usa a tabela regressiva. Já os rendimentos do trabalho (salários) usam a tabela progressiva — onde alíquotas maiores incidem sobre faixas maiores de rendimento.
Não confunda os dois sistemas! O rendimento de um CDB não entra na tabela progressiva de IR (é tributado exclusivamente na fonte pela tabela regressiva).
Come-cotas vs tabela regressiva nos fundos
Fundos de renda fixa têm uma distorção interessante: o come-cotas semestral sempre usa a menor alíquota da tabela para o tipo de fundo (15% para fundos de longo prazo). No resgate final, o cálculo é ajustado conforme o prazo real de aplicação, com o come-cotas já pago sendo compensado.
Use a calculadora de CDB para ver o impacto exato do IR no seu investimento, ou o comparador para calcular a equivalência entre CDB e LCI/LCA considerando a tabela regressiva.
Fontes
- Lei 11.033/2004 — Institui a tabela regressiva de IR em renda fixa
- Instrução Normativa RFB 1.585/2015
- Receita Federal — Perguntas e Respostas sobre tributação de aplicações financeiras
Última atualização: junho de 2026.
Perguntas frequentes
Qual a alíquota de IR para resgate após 360 dias?
Para resgates entre 361 e 720 dias, a alíquota de IR é de 17,5%. Acima de 720 dias (2 anos), cai para 15% — a menor alíquota possível na tabela regressiva.
Como funciona a tabela regressiva de IR em renda fixa?
A tabela regressiva funciona ao contrário do nome sugere: a alíquota DIMINUI com o tempo. Vai de 22,5% para resgates em até 180 dias, passando por 20% (181–360 dias), 17,5% (361–720 dias) e chegando a 15% acima de 720 dias. O IR é retido na fonte no momento do resgate.
LCI e LCA pagam IR?
Não. LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) são isentas de Imposto de Renda para pessoa física. O mesmo vale para a Poupança, CRI e CRA. CDB, Tesouro Direto e fundos de renda fixa são tributados pela tabela regressiva.
O que é IOF em renda fixa?
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre resgates feitos em até 30 dias da aplicação. A alíquota é regressiva: 96% no 1º dia, diminuindo 3,33 pontos por dia até zero no 30º dia. A partir do 31º dia não há mais IOF.
Vale a pena esperar 721 dias para pagar menos IR?
Sim, na maioria dos casos. Aguardar o 721º dia para pagar 15% de IR em vez de 17,5% pode economizar centenas de reais em investimentos maiores. Para R$ 50.000 com rendimento bruto de R$ 15.000, a economia é de R$ 375 apenas esperando mais dois dias.