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Tabela Regressiva do IR: como funciona e estratégias para pagar menos imposto

A tabela regressiva do Imposto de Renda em renda fixa reduz a alíquota com o tempo: de 22,5% em até 180 dias para 15% em mais de 720 dias. Com exemplos numéricos e tabela IOF.

Por Peter Frankrhine 9 min de leitura

Resposta curta: Na tabela regressiva, quanto mais tempo você mantém o investimento, menos IR paga. De 22,5% para resgates em até 180 dias, até 15% para mais de 720 dias. A diferença de alíquota pode representar centenas de reais em investimentos maiores.

A tabela regressiva do IR

A tabela regressiva é o sistema de tributação do Imposto de Renda aplicado a investimentos de renda fixa no Brasil. Ela funciona ao contrário do nome pode sugerir: a alíquota regride (diminui) conforme o prazo aumenta.

Prazo de aplicaçãoAlíquota IR
0 a 180 dias22,5%
181 a 360 dias20,0%
361 a 720 dias17,5%
Mais de 720 dias15,0%

Os prazos são contados em dias corridos (calendário) a partir da data de aplicação.

Por que a tabela é regressiva?

O governo usa a tabela regressiva como incentivo para que os investidores mantenham o dinheiro aplicado por prazos mais longos. Aplicações de curto prazo (dinheiro que entra e sai rapidamente) são penalizadas com alíquota maior (22,5%). Já quem mantém o investimento por mais de 2 anos é premiado com a alíquota mínima de 15%.

Quais investimentos seguem a tabela regressiva?

Seguem a tabela regressiva:

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário)
  • Tesouro Direto (Selic, IPCA+, Prefixado)
  • LC (Letra de Câmbio)
  • LF (Letra Financeira)
  • Fundos de Renda Fixa e Multimercado (exceto fundos de ações)
  • Debêntures comuns

Não seguem (isentos ou alíquotas diferentes):

  • LCI, LCA, Poupança → isentos de IR
  • CRI, CRA (de securitizadoras) → isentos
  • Debêntures incentivadas → isentos
  • Fundos de ações → alíquota fixa de 15% no resgate (sem tabela regressiva, sem come-cotas)

Impacto da tabela regressiva: exemplos numéricos

Exemplo 1: R$ 10.000 a 14,65% a.a.

PrazoRendimento brutoIRRendimento líquido
6 mesesR$ 716R$ 161 (22,5%)R$ 555
12 mesesR$ 1.465R$ 256 (17,5%)R$ 1.209
24 mesesR$ 3.134R$ 470 (15%)R$ 2.664
36 mesesR$ 5.032R$ 755 (15%)R$ 4.277

Exemplo 2: R$ 50.000 a 14,65% a.a. (diferença de alíquota)

PrazoRendimento brutoIRRendimento líquido
6 mesesR$ 3.581R$ 806 (22,5%)R$ 2.775
12 mesesR$ 7.325R$ 1.282 (17,5%)R$ 6.043
24 mesesR$ 15.672R$ 2.351 (15%)R$ 13.321
36 mesesR$ 25.160R$ 3.774 (15%)R$ 21.386

Cálculos aproximados, sem aportes mensais.

IOF regressivo: o imposto de curto prazo

Além do IR, existe outro tributo que pode reduzir seu rendimento em resgates de curto prazo: o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ele incide apenas nos primeiros 30 dias de aplicação e é calculado sobre o rendimento bruto.

Tabela IOF regressiva (30 dias)

Dia do resgateAlíquota IOFDia do resgateAlíquota IOF
Dia 196%Dia 1646%
Dia 293%Dia 1743%
Dia 390%Dia 1840%
Dia 486%Dia 1936%
Dia 583%Dia 2033%
Dia 680%Dia 2130%
Dia 776%Dia 2226%
Dia 873%Dia 2323%
Dia 970%Dia 2420%
Dia 1066%Dia 2516%
Dia 1163%Dia 2613%
Dia 1260%Dia 2710%
Dia 1356%Dia 286%
Dia 1453%Dia 293%
Dia 1550%Dia 300%

A partir do 31º dia, o IOF é zero.

Exemplo prático: R$ 10.000 aplicados num CDB a 14,65% a.a. e resgatados no 7º dia:

  • Rendimento bruto nos 7 dias: ≈ R$ 26,40
  • IOF (76% do rendimento): R$ 20,06
  • IR (22,5% sobre R$ 6,34): R$ 1,43
  • Rendimento líquido: R$ 4,91 (quase zero!)

Moral: nunca resgate renda fixa antes de 30 dias, a menos que seja emergência. O IOF destrói praticamente todo o rendimento dos primeiros dias.

Como calcular o IR com a tabela regressiva?

Passo a passo:

  1. Determine o prazo em dias corridos desde a aplicação
  2. Identifique a alíquota na tabela acima
  3. Calcule o rendimento bruto: Valor Final - Valor Investido
  4. Subtraia o IOF (se resgate em até 30 dias): Rendimento após IOF = Rendimento Bruto - IOF
  5. Aplique o IR: IR = Rendimento após IOF × Alíquota

Fórmula:

IR = (Valor Final - Valor Investido - IOF) × Alíquota
Valor Líquido = Valor Final - IOF - IR

Estratégias para minimizar o IR

1. Espere 721 dias para atingir a alíquota mínima de 15%

A maior economia acontece ao cruzar o limiar de 720 dias. Se você está próximo desse prazo, pode valer a pena aguardar mais alguns dias para pagar 15% em vez de 17,5%.

Exemplo: R$ 50.000 com rendimento bruto de R$ 15.000 no dia 719:

  • IR a 17,5%: R$ 2.625
  • IR a 15% (aguardar até dia 721): R$ 2.250
  • Economia esperando 2 dias: R$ 375

2. Prefira LCI/LCA para prazos de 12-24 meses

Para prazos onde o IR seria 17,5%, uma LCI a 90% CDI pode superar um CDB a 110% CDI:

  • CDB 110% CDI, 12 meses: líquido ≈ 110% × (1 - 17,5%) = 90,75% CDI
  • LCI 90% CDI: líquido = 90% CDI (sem IR)

Neste cenário, o CDB ainda vence por pequena margem — mas uma LCI a 92% CDI já empata.

3. Para prazos longos (>2 anos), o CDB melhora

Com alíquota de 15%, um CDB a 110% CDI tem taxa líquida de 110% × (1 - 15%) = 93,5% CDI, superando a maioria das LCIs disponíveis no mercado.

4. Evite resgatar antes de 181 dias

A maior queda de alíquota (2,5 pontos percentuais) ocorre entre os dias 180 e 181. Se precisar resgatar com menos de 6 meses de aplicação, tente aguardar até o 181º dia.

Tabela regressiva vs tabela progressiva

A renda fixa usa a tabela regressiva. Já os rendimentos do trabalho (salários) usam a tabela progressiva — onde alíquotas maiores incidem sobre faixas maiores de rendimento.

Não confunda os dois sistemas! O rendimento de um CDB não entra na tabela progressiva de IR (é tributado exclusivamente na fonte pela tabela regressiva).

Come-cotas vs tabela regressiva nos fundos

Fundos de renda fixa têm uma distorção interessante: o come-cotas semestral sempre usa a menor alíquota da tabela para o tipo de fundo (15% para fundos de longo prazo). No resgate final, o cálculo é ajustado conforme o prazo real de aplicação, com o come-cotas já pago sendo compensado.

Use a calculadora de CDB para ver o impacto exato do IR no seu investimento, ou o comparador para calcular a equivalência entre CDB e LCI/LCA considerando a tabela regressiva.

Fontes

  • Lei 11.033/2004 — Institui a tabela regressiva de IR em renda fixa
  • Instrução Normativa RFB 1.585/2015
  • Receita Federal — Perguntas e Respostas sobre tributação de aplicações financeiras

Última atualização: junho de 2026.

Perguntas frequentes

Qual a alíquota de IR para resgate após 360 dias?

Para resgates entre 361 e 720 dias, a alíquota de IR é de 17,5%. Acima de 720 dias (2 anos), cai para 15% — a menor alíquota possível na tabela regressiva.

Como funciona a tabela regressiva de IR em renda fixa?

A tabela regressiva funciona ao contrário do nome sugere: a alíquota DIMINUI com o tempo. Vai de 22,5% para resgates em até 180 dias, passando por 20% (181–360 dias), 17,5% (361–720 dias) e chegando a 15% acima de 720 dias. O IR é retido na fonte no momento do resgate.

LCI e LCA pagam IR?

Não. LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) são isentas de Imposto de Renda para pessoa física. O mesmo vale para a Poupança, CRI e CRA. CDB, Tesouro Direto e fundos de renda fixa são tributados pela tabela regressiva.

O que é IOF em renda fixa?

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre resgates feitos em até 30 dias da aplicação. A alíquota é regressiva: 96% no 1º dia, diminuindo 3,33 pontos por dia até zero no 30º dia. A partir do 31º dia não há mais IOF.

Vale a pena esperar 721 dias para pagar menos IR?

Sim, na maioria dos casos. Aguardar o 721º dia para pagar 15% de IR em vez de 17,5% pode economizar centenas de reais em investimentos maiores. Para R$ 50.000 com rendimento bruto de R$ 15.000, a economia é de R$ 375 apenas esperando mais dois dias.