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Poupança: quanto rende em 2026?

Resposta rápida: A poupança rende 9.63% a.a. (70% da Selic de 13.75%). R$ 10.000 por 12 meses = R$ 10.962,50 (isenta de IR).

Selic: 13.75% a.a. · Atualizado: 09/10/2026

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Poupança vs alternativas (R$ 10.000 · 12 meses)

Poupança (9.63% a.a.) R$ 962,50
CDB 100% CDI (após IR) R$ 1.126,12

O CDB supera a poupança em R$ 163,62 neste cenário.

O que é a poupança

A caderneta de poupança é a aplicação financeira mais tradicional e popular do Brasil — praticamente todo brasileiro que já teve conta em banco também já teve dinheiro guardado na poupança. Isso não é acaso: qualquer conta corrente já sai do banco com uma poupança vinculada, pronta para uso, sem necessidade de preencher formulário, assinar contrato ou entender de investimentos. Basta transferir o dinheiro da conta corrente para a poupança e ele passa a render automaticamente todo mês, podendo ser resgatado a qualquer momento, sem prazo mínimo de permanência.

É esse conjunto de simplicidade e familiaridade — e não a rentabilidade — que sustenta a popularidade da poupança até hoje. Como mostra o comparativo mais adiante, quase sempre existe uma alternativa com o mesmo nível de segurança que rende mais do que a poupança.

Como funciona a rentabilidade da poupança

A regra de rentabilidade da poupança é definida pelo Banco Central e vale para todos os depósitos feitos a partir de maio de 2012 (a chamada "poupança nova"). Ela segue duas regras, que dependem do patamar da taxa Selic definida pelo Copom:

  • Selic acima de 8,5% ao ano: a poupança rende 70% da Selic + TR (Taxa Referencial, hoje próxima de zero).
  • Selic em 8,5% ao ano ou abaixo: a poupança rende 0,5% ao mês + TR, independentemente de quanto a Selic caia depois disso.

Com a Selic atual em 13.75% a.a. — bem acima do gatilho de 8,5% — a poupança está no primeiro regime, e sua rentabilidade efetiva é 70% × 13.75% = 9.63% ao ano. Essa regra é pública e as séries históricas de Selic e poupança podem ser conferidas diretamente no Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central (SGS).

Além da regra da taxa, existe um detalhe operacional que confunde muita gente: a poupança só paga rendimento no "aniversário" mensal de cada depósito — ou seja, no mesmo dia do mês em que o dinheiro foi aplicado. Quem saca antes de completar o ciclo mensal perde o rendimento inteiro daquele período, mesmo que faltem poucos dias para o crédito.

Exemplo prático: você deposita R$ 10.000 na poupança no dia 15 de um mês. O aniversário desse depósito passa a ser sempre o dia 15. À taxa mensal equivalente atual de aproximadamente 0.77% ao mês (9.63% a.a.), esse valor renderia cerca de R$ 76,87 no ciclo do dia 15 ao dia 15 do mês seguinte. Se você resgatar no dia 10 do mês seguinte — cinco dias antes de completar o ciclo —, recebe de volta exatamente os R$ 10.000,00 depositados, sem nenhum centavo de rendimento daquele período. Se esperar até o dia 15 (ou depois), recebe R$ 10.076,87. A diferença entre sacar um dia antes ou um dia depois do aniversário pode ser o rendimento inteiro do mês.

Tributação da poupança

A poupança é totalmente isenta de Imposto de Renda (IR) e de IOF para pessoa física. Essa é a única vantagem tributária real da caderneta de poupança frente a outros investimentos de renda fixa: CDB, Tesouro Direto e Fundos DI têm IR regressivo (de 22,5% a 15%, conforme o prazo de aplicação) e IOF regressivo nos primeiros 29 dias. Só LCI, LCA e a própria poupança têm essa isenção — mas, como o comparativo mais adiante mostra, mesmo pagando IR, um CDB ou o Tesouro Selic costumam render mais líquido do que a poupança isenta, porque a taxa bruta da poupança é mais baixa.

Riscos e garantias

Como qualquer depósito bancário, a poupança é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250.000 por CPF, por instituição financeira (consulte as regras completas no site do FGC). Na prática, o risco de crédito da poupança é irrelevante para a maioria dos investidores: como praticamente qualquer banco, cooperativa de crédito ou caixa econômica no Brasil oferece conta poupança, é fácil manter o valor investido dentro do limite garantido, inclusive em instituições pequenas que pagam mais. A poupança também não cobra taxa de administração, taxa de custódia nem qualquer tarifa de manutenção — o valor investido rende integralmente pela taxa da regra oficial, sem descontos operacionais.

Para quem a poupança faz sentido

A poupança faz sentido para quem valoriza praticidade acima de tudo: não é preciso comparar bancos, ler regulamento de fundo, abrir conta em corretora ou entender taxas de rentabilidade. O dinheiro já está lá, rende automaticamente todo mês, e pode ser resgatado a qualquer momento sem prazo de carência. Para quem realmente não quer dedicar nenhum tempo a comparar produtos financeiros, a poupança cumpre seu papel.

Mas, na grande maioria dos casos, existe uma alternativa com o mesmo nível de segurança — também coberta pelo FGC ou garantida diretamente pelo Tesouro Nacional — que rende mais. A tabela abaixo compara R$ 10.000 aplicados por 12 meses em quatro produtos, com o retorno líquido de impostos:

Aplicação (R$ 10.000 · 12 meses) Rentabilidade bruta Retorno líquido Valor final
Poupança 9.63% a.a. (isenta de IR) R$ 962,50 R$ 10.962,50
CDB 100% CDI 13.65% a.a. bruto R$ 1.126,12 R$ 11.126,12
CDB 110% CDI 15.02% a.a. bruto R$ 1.238,74 R$ 11.238,74
Tesouro Selic (100% CDI) 13.65% a.a. bruto R$ 1.126,12 R$ 11.126,12

Simulação com Selic 13.75% a.a. e CDI 13.65% a.a., IR pela tabela regressiva (17,5% para prazos de 365 a 720 dias). Fonte: dados de mercado do Banco Central.

Repare que o CDB e o Tesouro Selic a 100% CDI aparecem com o mesmo retorno líquido — isso não é coincidência: os dois seguem a mesma tabela de IR regressiva sobre a mesma taxa bruta. A diferença prática entre eles está na garantia (FGC até R$ 250.000 no CDB; garantia direta do Tesouro Nacional, sem limite de valor, no Tesouro Selic) e em detalhes de liquidez, não na tributação. Em todos os casos acima, mesmo pagando 17,5% de Imposto de Renda, as alternativas superaram a poupança isenta — porque a diferença na taxa bruta compensa folgadamente o imposto.

Como investir na poupança na prática

Investir em poupança não exige abertura de conta separada nem cadastro adicional: qualquer conta corrente em banco, cooperativa de crédito ou caixa econômica já vem com uma poupança vinculada disponível para uso imediato. Basta transferir o valor desejado da conta corrente para a poupança pelo aplicativo ou internet banking. A aplicação é imediata — o ciclo de rendimento começa a contar a partir do dia do depósito — e o resgate também é imediato, sem prazo de carência ou D+1/D+2 como ocorre em fundos e em alguns títulos do Tesouro Direto.

Erros comuns ao usar a poupança

  • Sacar um dia antes do aniversário mensal: como mostrado no exemplo acima, resgatar a poupança mesmo um único dia antes de completar o ciclo mensal do depósito zera o rendimento daquele mês inteiro. Sempre confira a data de aniversário do depósito antes de programar um saque.
  • Manter uma reserva de emergência grande na poupança: para valores relevantes, o Tesouro Selic costuma render mais com o mesmo nível de segurança e com liquidez em D+1, tornando-se uma alternativa mais eficiente para guardar a reserva de emergência.
  • Achar que a poupança nunca perde dinheiro: é verdade que o saldo nominal em reais nunca cai, mas isso não significa que o dinheiro nunca perde valor. Em anos com Selic baixa (regra de 0,5% ao mês + TR) combinada com inflação alta, a poupança já rendeu menos do que o IPCA — em 2021, por exemplo, o IPCA acumulado foi de 10,06%, superando a rentabilidade da poupança naquele período e gerando perda de poder de compra mesmo com o saldo nominal em alta.

Perguntas Frequentes

Quanto rende R$ 10.000 na poupança em 2026?

Com Selic em 13.75% a.a., a poupança rende 9.63% a.a. (70% da Selic). R$ 10.000 por 12 meses rendem R$ 962,50, totalizando R$ 10.962,50. A poupança é isenta de IR.

A poupança ainda vale a pena em 2026?

A poupança rende 9.63% a.a., enquanto um CDB a 100% CDI rende R$ 1.126,12 líquido (após IR) vs R$ 962,50 na poupança. Para a maioria dos investidores, existem alternativas melhores como CDB, LCI ou Tesouro Selic.

Como funciona a regra da poupança?

Desde 2012, a poupança segue duas regras: (1) Se a Selic está acima de 8,5% a.a., rende 70% da Selic + TR. Com Selic em 13.75%, isso dá 9.63% a.a. (2) Se a Selic estiver em 8,5% ou abaixo, rende 0,5% ao mês + TR.

Qual a vantagem da poupança?

A poupança tem liquidez diária (para aniversários da data de aplicação), isenção de IR e IOF, sem custo de custódia e está disponível em qualquer banco. É ideal para quem quer extrema simplicidade e não precisa de retorno máximo.

Poupança tem garantia do FGC?

Sim. Depósitos em poupança são garantidos pelo FGC até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira. O FGC cobre depósitos em bancos, caixas econômicas e cooperativas de crédito.

O que acontece se eu sacar a poupança antes do aniversário mensal?

Você perde todo o rendimento daquele ciclo mensal incompleto, recebendo de volta apenas o valor depositado (mais qualquer rendimento de ciclos anteriores já creditados). O aniversário da poupança é sempre o mesmo dia do mês do depósito original; sacar mesmo um dia antes dessa data zera o rendimento do período inteiro. Por isso, ao planejar um saque, vale conferir a data de aniversário do depósito antes de resgatar.

A poupança pode perder para a inflação?

Sim. A poupança não perde valor nominal (o saldo em reais nunca cai), mas pode perder poder de compra quando o IPCA supera sua rentabilidade nominal no período. Isso já aconteceu em anos em que a Selic ficou baixa (ativando a regra de 0,5% ao mês + TR) e a inflação subiu — em 2021, por exemplo, o IPCA acumulado foi de 10,06%, bem acima do que a poupança rendeu naquele regime, gerando rentabilidade real negativa.

Existe algum limite de valor para investir na poupança?

Não há limite máximo de depósito na poupança, mas o FGC só garante até R$ 250.000 por CPF por instituição em caso de quebra do banco. Quem tem mais de R$ 250.000 aplicados deve distribuir o valor entre instituições diferentes ou considerar o Tesouro Selic, que tem garantia direta do Tesouro Nacional sem limite de valor.