Pular para o conteúdo

CDB: quanto rende e como calcular

Resposta rápida: Com CDI em 13.65% a.a., um CDB a 110% do CDI rende 12,39% líquido ao ano. Em 12 meses, R$ 10.000 viram R$ 11.238,74.

CDI: 13.65% a.a. · Atualizado: 09/10/2026 · Fonte: Banco Central do Brasil

Simule seu investimento

Produto

O que é CDB?

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos junto a investidores. Na prática, é um empréstimo: você entrega dinheiro ao banco por um prazo determinado (ou com liquidez diária) e recebe de volta o valor investido acrescido de juros, calculados de acordo com a taxa contratada.

É um dos investimentos de renda fixa mais populares do Brasil por combinar segurança — cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250.000 por CPF por instituição — com rentabilidade competitiva, especialmente em bancos digitais e corretoras que oferecem taxas acima de 100% do CDI para atrair capital. O CDB é regulado pelo Banco Central do Brasil e pelo Conselho Monetário Nacional, e cada banco emissor define livremente a taxa que está disposto a pagar.

Como funciona a rentabilidade do CDB?

Existem três formas de remuneração de um CDB, e a diferença entre elas determina o quanto seu dinheiro rende e o quão previsível é esse rendimento:

  • Pós-fixado (%CDI): a modalidade mais comum. O CDB rende um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa que acompanha de perto a Selic definida pelo Banco Central. Com o CDI atual em 13.65% a.a. (dado público na série histórica do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central), um CDB a 100% do CDI rende 13.65% a.a. bruto; a 110% do CDI, 15.02% a.a.; e a 120% do CDI, 16.38% a.a.
  • Prefixado: a taxa de juros é travada no momento da aplicação (por exemplo, 13,5% a.a.) e não se altera até o vencimento, independentemente do que acontecer com a Selic depois. Vale mais a pena quando você acredita que os juros vão cair no futuro, pois você já garante a taxa mais alta de hoje.
  • Híbrido (IPCA+): combina uma taxa fixa com a variação da inflação (IPCA), garantindo ganho real acima da inflação — por exemplo, "IPCA + 6% a.a.". É a opção mais indicada para objetivos de longo prazo, pois protege o poder de compra do capital investido.

Outro ponto que muda bastante o rendimento efetivo é a liquidez. CDBs de liquidez diária permitem resgate a qualquer momento (em D+0 ou D+1), o que é ideal para reserva de emergência, mas costumam pagar taxas menores. CDBs com carência ou vencimento fixo (90 dias, 1 ano, 2 anos ou mais) travam o capital até a data combinada e, em troca, pagam percentuais de CDI mais altos — o banco tem previsibilidade sobre o dinheiro captado e repassa parte desse benefício ao investidor.

Tributação: como funciona o IR e o IOF no CDB

O rendimento do CDB é tributado por Imposto de Renda (IR) na fonte, seguindo a tabela regressiva aplicada sobre o número de dias corridos entre a aplicação e o resgate: quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor a alíquota. As regras estão detalhadas nas instruções normativas da Receita Federal.

Prazo (dias corridos)Alíquota IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

Além do IR, resgates feitos antes de 30 dias corridos sofrem incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) regressivo, que começa em 96% do rendimento no 1º dia e cai gradualmente até 0% no 30º dia. Na prática, isso significa que resgatar um CDB nos primeiros dias praticamente zera o ganho — o IOF consome quase todo o rendimento bruto antes mesmo do IR ser calculado.

Exemplo completo: você aplica R$ 50.000 em um CDB a 110% do CDI (15.02% a.a. com o CDI atual) e resgata após 12 meses (mais de 30 dias, então sem IOF).

  • Rendimento bruto no período: R$ 7.507,50
  • 12 meses correspondem a cerca de 365 dias corridos, o que enquadra o resgate na faixa "de 361 a 720 dias" da tabela regressiva: alíquota de IR de 17.5%, equivalente a R$ 1.313,81
  • IOF: R$ 0,00 (resgate muito depois do 30º dia, quando o IOF já zerou)
  • Valor líquido final: R$ 56.193,69 (rendimento líquido de R$ 6.193,69, equivalente a 12,39% líquidos ao ano)

Já se esse mesmo CDB de R$ 50.000 fosse resgatado aos 15 dias corridos, o cenário muda bastante: o rendimento bruto seria de apenas cerca de R$ 293, dos quais 50% (a alíquota de IOF no 15º dia) viram IOF — restando pouco mais de R$ 146 de rendimento bruto sujeitos ainda a 22,5% de IR. O rendimento líquido nesse resgate antecipado fica em torno de R$ 114, uma fração pequena do que seria obtido esperando o prazo mínimo de 30 dias sem IOF.

CDB vs Tesouro Selic vs LCI vs Poupança: comparação líquida

O percentual do CDI anunciado não conta a história toda — o que importa é o valor líquido que sobra depois de impostos. A tabela abaixo simula R$ 10.000 aplicados por 12 meses em quatro produtos diferentes, com o CDI e a Selic atuais:

Produto Rendimento bruto IR Rendimento líquido Rentabilidade líquida a.a.
CDB 110% do CDI R$ 1.501,50 17.5% R$ 1.238,74 12,39%
Tesouro Selic (100% CDI) R$ 1.365,00 17.5% R$ 1.126,12 11,26%
LCI 92% do CDI R$ 1.255,80 Isento R$ 1.255,80 12,56%
Poupança R$ 962,50 Isento R$ 962,50 9,63%

Repare que a LCI a 92% do CDI — mesmo com um percentual nominal menor que o CDB a 110% do CDI — rende mais líquido, porque é isenta de IR. Esse é o motivo pelo qual comparar apenas o "%CDI" anunciado pode levar a decisões erradas. Para simular outros valores, prazos e produtos, use o comparador de investimentos.

Riscos e garantias: o FGC protege seu CDB?

Investir em CDB significa emprestar dinheiro a um banco, e isso traz risco de crédito: se a instituição emissora quebrar, o investidor pode não receber de volta o valor aplicado. Esse risco é mitigado pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), uma entidade privada mantida pelos próprios bancos que garante o reembolso de depósitos e investimentos, incluindo CDBs, em caso de intervenção, liquidação ou falência da instituição.

A cobertura do FGC é de até R$ 250.000 por CPF (ou CNPJ), por instituição financeira ou conglomerado — somando principal e juros na data do evento. Além desse limite por instituição, existe um teto agregado de R$ 1.000.000 por CPF, considerando todas as instituições em que você tem depósitos garantidos, renovável a cada período de 4 anos. Isso é especialmente relevante para quem tem grandes quantias aplicadas: concentrar tudo em um único banco, mesmo que a taxa seja atrativa, expõe valores acima de R$ 250.000 sem garantia.

Para quem o CDB faz sentido?

O CDB é indicado principalmente para o perfil conservador, que prioriza previsibilidade e segurança em vez de buscar retornos maiores com mais risco (como ações ou fundos multimercado). É também uma boa opção para reserva de emergência, desde que se escolha um CDB de liquidez diária de banco sólido — assim o dinheiro fica disponível a qualquer momento sem perda de rendimento relevante.

Para quem já tem reserva de emergência formada, CDBs de prazos diferentes ajudam a diversificar por vencimento: parte do capital em CDBs de curto prazo (mais líquidos, taxas menores) e parte em CDBs de médio/longo prazo (menos líquidos, taxas maiores), escalonando os vencimentos conforme os objetivos financeiros — uma viagem em 1 ano, a entrada de um imóvel em 3 anos, aposentadoria complementar em 10 anos.

Como investir em CDB na prática

  1. Abra conta em um banco tradicional, banco digital ou corretora de valores — a maioria não cobra taxa de abertura ou manutenção para investir em renda fixa.
  2. Compare o %CDI entre diferentes instituições. Bancos digitais e corretoras costumam oferecer taxas mais competitivas que os grandes bancos de varejo, já que precisam captar recursos para crescer.
  3. Verifique a liquidez e o vencimento antes de aplicar: confirme se o CDB permite resgate antecipado (e em quanto tempo o dinheiro cai na conta) ou se há carência até o vencimento.
  4. Confira a cobertura do FGC e evite concentrar mais de R$ 250.000 em uma única instituição.
  5. Simule o rendimento líquido na calculadora desta página antes de decidir, considerando o prazo real que pretende deixar o dinheiro aplicado.

Erros comuns ao investir em CDB

  • Resgatar antes de 30 dias corridos: o IOF regressivo consome a maior parte do rendimento nos primeiros dias (96% no 1º dia), tornando o resgate muito antecipado quase sempre uma má ideia.
  • Não comparar o %CDI entre bancos: a diferença entre um CDB a 90% do CDI e outro a 120% do CDI, no mesmo prazo, pode representar centenas ou milhares de reais a mais de rendimento líquido.
  • Ignorar a cobertura do FGC ao concentrar tudo em um só banco: aplicar mais de R$ 250.000 em uma única instituição deixa o excedente sem garantia em caso de falência do emissor.
  • Confundir CDB de liquidez diária com CDB de carência: alguns CDBs de prazo fixo não permitem resgate antes do vencimento em nenhuma hipótese, enquanto outros têm carência (por exemplo, 90 dias) e depois passam a ter liquidez diária. Ler as condições do produto antes de aplicar evita surpresas na hora de precisar do dinheiro.

CDB por banco: veja todos

Cada banco define sua própria taxa de CDB. Veja o simulador específico de cada instituição, com ficha técnica, cobertura do FGC e comparação com a poupança do mesmo banco.

Perguntas Frequentes

O que é CDB?

CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos. Ao investir em CDB, você empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. É garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250.000 por CPF por instituição, com teto agregado de R$ 1.000.000 renovável a cada 4 anos.

Quanto rende um CDB a 100% do CDI?

Um CDB a 100% do CDI rende exatamente o CDI, que está em 13.65% a.a. Para R$ 10.000 em 12 meses, o rendimento líquido após IR de 17.5% seria de aproximadamente R$ 1.126,12.

CDB tem Imposto de Renda?

Sim. O CDB segue a tabela regressiva de IR: 22,5% para resgates em até 180 dias corridos, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. O IR é retido na fonte no momento do resgate, calculado sobre o rendimento bruto (descontado eventual IOF). As regras completas estão nas instruções normativas da Receita Federal.

CDB ou LCI/LCA: qual escolher?

Depende do rendimento líquido de cada um, não apenas do %CDI anunciado. LCI e LCA são isentas de IR para pessoa física, enquanto o CDB é tributado pela tabela regressiva. No nosso exemplo com R$ 10.000 por 12 meses, uma LCI a 92% do CDI rende mais líquido do que um CDB a 110% do CDI, porque a isenção de IR compensa a taxa nominal menor. Sempre compare o valor líquido final, não o percentual bruto.

Qual o prazo mínimo de um CDB?

Tecnicamente, CDBs podem ter prazo mínimo de 1 dia. Na prática, os bancos digitais oferecem CDBs com liquidez diária (resgate em D+0 ou D+1). CDBs de prazo fixo (com carência) geralmente começam em 90 dias e tendem a pagar mais quanto maior o prazo, já que o banco tem previsibilidade sobre o capital captado.

O que acontece se eu resgatar o CDB antes de 30 dias?

Você paga IOF regressivo sobre o rendimento, que corrói praticamente todo o ganho nos primeiros dias. A alíquota de IOF começa em 96% do rendimento no 1º dia e cai linearmente até 0% no 30º dia corrido. Depois de 30 dias, não há mais cobrança de IOF — resta apenas o IR normal da tabela regressiva.

O FGC garante todo o valor investido em CDB?

O FGC garante até R$ 250.000 por CPF (ou CNPJ) por instituição financeira ou conglomerado financeiro, somando principal e juros. Além disso, existe um teto agregado de R$ 1.000.000 por CPF, considerando todas as instituições, renovável a cada período de 4 anos. Valores acima desse limite não têm cobertura garantida em caso de quebra do banco emissor.

CDB prefixado ou pós-fixado: qual rende mais?

Não existe resposta única — depende do cenário de juros futuro. O CDB pós-fixado (%CDI) acompanha a Selic/CDI e é mais seguro em cenários de juros altos ou incertos, pois o rendimento se ajusta automaticamente. O CDB prefixado trava uma taxa fixa e vale mais a pena quando você acredita que os juros vão cair, pois você "trava" a taxa atual, mais alta, para o período todo.