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Simulador de Financiamento — Tabela Price e SAC (2026)

Resposta rápida: R$ 300.000,00 em 30 anos a 10% a.a. — Price = R$ 2.537,67/mês · SAC = R$ 3.225,58/mês (1ª parcela)

SAC economiza R$ 181.762,38 em juros, mas começa com parcelas maiores.

Price vs SAC — R$ 300.000,00 em 30 anos a 10% a.a.

Sistema 1ª parcela Última parcela Total de juros Total pago
Tabela Price R$ 2.537,67 R$ 2.537,67 R$ 613.562,09 R$ 913.562,09
SAC menos juros R$ 3.225,58 R$ 839,98 R$ 431.799,70 R$ 731.799,70

Simulação educativa. Não inclui seguros obrigatórios (MIP/DFI) nem tarifas bancárias.

Simule seu financiamento

Sistema de amortização

O que é a Tabela Price

A Tabela Price (ou sistema francês de amortização) é o sistema de financiamento mais comum no Brasil para crédito pessoal, veicular e imobiliário. Sua característica principal é a parcela fixa: você paga exatamente o mesmo valor todos os meses.

A fórmula da Tabela Price calcula a parcela (PMT) como:

PMT = PV × r × (1+r)ⁿ / ((1+r)ⁿ − 1)

Onde PV é o valor financiado, r é a taxa mensal e n é o prazo em meses. Para R$ 300.000,00 a 10% a.a. em 30 anos: PMT = R$ 2.537,67.

Importante: a taxa mensal (r) não é a taxa anual dividida por 12, e sim a taxa mensal equivalente — aquela que, capitalizada 12 vezes, reproduz a taxa anual: (1+r)¹² = (1 + taxa anual). Para 10% a.a., isso dá cerca de 0,80% a.m., não 0,83%.

A parcela é constante porque o PMT é resolvido para que, mês a mês, o mesmo valor cubra os juros do saldo devedor e amortize uma fatia crescente do principal, zerando o saldo no fim do prazo. Nas primeiras parcelas, a maior parte é juros; com o tempo, a amortização cresce e os juros diminuem — mas o total da parcela nunca muda.

O que é o SAC

O SAC (Sistema de Amortização Constante) amortiza sempre o mesmo valor de principal a cada mês. Como o saldo devedor cai mais rápido, os juros — calculados sobre o saldo — também diminuem. Por isso, as parcelas do SAC são decrescentes: a primeira é maior, a última é menor.

A parcela do SAC é: Parcela = Amortização + Juros, onde Amortização = Principal / n e Juros = Saldo × taxa_mensal.

No SAC, a 1ª parcela (R$ 3.225,58) é maior que a do Price (R$ 2.537,67), mas a última (R$ 839,98) é muito menor. Isso acontece porque a Amortização é fixa, mas os Juros são recalculados a cada mês sobre um saldo devedor cada vez menor — é a parcela de juros que encolhe mês a mês, puxando a parcela total para baixo de forma linear e previsível.

Price vs SAC: qual paga menos juros?

O SAC sempre paga menos juros no total que a Tabela Price para os mesmos parâmetros. Isso acontece porque o SAC amortiza mais principal no início, reduzindo o saldo sobre o qual os juros incidem.

Para R$ 300.000,00 em 30 anos a 10% a.a.:

  • Price paga R$ 613.562,09 de juros
  • SAC paga R$ 431.799,70 de juros
  • Diferença: R$ 181.762,38 a menos no SAC

A desvantagem do SAC é a 1ª parcela maior, que pode dificultar a aprovação de crédito para quem tem renda mais apertada.

Para quem faz sentido cada sistema

Não existe sistema "melhor" em termos absolutos — a escolha depende do seu momento financeiro e da prioridade: parcela menor agora ou menos juros no total.

  • SAC faz mais sentido para quem consegue comprometer uma parcela inicial mais alta sem apertar o orçamento. Em troca, paga menos juros no total e vê a parcela cair mês a mês — útil em cenários de renda que pode diminuir no futuro (aposentadoria, por exemplo).
  • Price faz mais sentido para quem precisa de uma parcela previsível e menor logo no início, mesmo pagando mais juros no total — geralmente quem está no limite do comprometimento de renda exigido pelo banco (normalmente até 30% da renda mensal) e não seria aprovado com a parcela inicial mais alta do SAC.

Muitos bancos de financiamento imobiliário só oferecem SAC (veja por quê na seção abaixo sobre imobiliário vs veicular). Verifique com o banco quais sistemas estão disponíveis antes de comparar taxas.

Custos além dos juros: o que é o CET

A taxa de juros nominal anunciada pelo banco não é o custo total do financiamento. Por resolução do Banco Central do Brasil, toda instituição financeira é obrigada a divulgar o CET (Custo Efetivo Total), expresso em % ao ano, antes da contratação. O CET soma à taxa de juros:

  • Seguros obrigatórios MIP e DFI — o MIP (Morte e Invalidez Permanente) cobre o saldo devedor em caso de morte ou invalidez do mutuário; o DFI (Danos Físicos ao Imóvel) cobre o imóvel contra incêndio e outros sinistros. Ambos são exigidos por lei e cobrados junto com a parcela mensal.
  • Tarifa de avaliação do imóvel — cobrada uma vez para o banco avaliar se o imóvel dado em garantia vale o valor financiado. Costuma ficar entre R$ 2.000 e R$ 3.000.
  • IOF — incide sobre crédito veicular e pessoal; financiamentos via SFH/SFI (Sistema Financeiro de Habitação / Sistema de Financiamento Imobiliário) costumam ser isentos, mas vale confirmar na proposta.
  • Outras tarifas administrativas, como taxa de cadastro (TAC), quando cobradas.

Por isso, o CET é sempre maior ou igual à taxa de juros nominal — nunca menor. Exemplo: no financiamento de R$ 300.000,00 em 30 anos a 10% a.a. pela Tabela Price, o total pago em juros e amortização (sem encargos) é R$ 913.562,09. Somando um seguro MIP+DFI estimado de R$ 45,00/mês (R$ 16.200,00 no total) e uma tarifa de avaliação de R$ 3.000,00, o custo sobe para aproximadamente R$ 932.762,09 — 2.1% a mais. Os valores de seguro e tarifa são estimativas ilustrativas; a cotação real de cada contrato deve constar no CET informado pelo banco.

Riscos do financiamento

Antes de assinar um contrato de longo prazo, vale considerar três riscos que a simulação "seca" de juros não mostra:

  • Superendividamento: se a parcela compromete uma fatia grande demais da renda, qualquer imprevisto (desemprego, gasto médico) pode levar à inadimplência. Evite que a parcela ultrapasse 25–30% da renda familiar líquida.
  • Variação da taxa em contratos pós-fixados: financiamentos indexados à TR ou ao IPCA têm parcela e saldo devedor corrigidos pela variação do índice, além dos juros contratados — em anos de inflação alta, o valor pode subir mais do que o planejado. Contratos prefixados eliminam esse risco, mas partem de taxa nominal mais alta.
  • Entrada insuficiente: quanto menor a entrada, maior o valor financiado e maior o total pago em juros — em ambos os sistemas. Aumentar a entrada em poucos pontos percentuais pode reduzir o custo total de forma desproporcional em prazos longos.

Quando vale amortizar o financiamento

Amortizar antecipadamente reduz o saldo devedor e, consequentemente, os juros futuros. Vale a pena quando:

  • A taxa do financiamento é maior que o rendimento líquido de investimentos seguros
  • Você tem disciplina financeira e o dinheiro seria gasto de outra forma
  • O prazo restante é longo (mais juros a pagar)

Com Selic em 14,5% a.a. e financiamento a 10% a.a., o Tesouro Selic rende mais (líquido ~12,3%) que o custo do financiamento. Nesse cenário, pode ser mais vantajoso investir. Quando a taxa do financiamento é alta (acima de 12–15% a.a.), amortizar tende a ser melhor. Ao pedir a amortização extraordinária, prefira reduzir o prazo em vez da parcela — isso costuma gerar mais economia de juros, pois encurta o período em que o saldo devedor rende juros para o banco.

Como comparar propostas e simular na prática

Peça sempre o CET em % a.a. de cada proposta (não só a taxa nominal) — é o único número que já inclui seguros, tarifas e IOF. Compare o sistema de amortização e a parcela usando a calculadora acima com o valor, prazo e taxa de cada banco, e simule o efeito de uma entrada maior ou de uma amortização extraordinária (FGTS, 13º salário) sobre o total de juros do contrato.

Erros comuns ao escolher um financiamento

  • Comparar bancos só pela taxa de juros nominal — ignorando o CET, que já inclui seguros, tarifas e IOF. Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter custo total bem diferente.
  • Achar que a Price é "mais barata" porque a parcela inicial é menor — para o mesmo valor, prazo e taxa, a Price sempre resulta em mais juros pagos no total do que o SAC.
  • Não simular o impacto de amortizações extras — muita gente contrata e nunca mais revisita a simulação, perdendo a chance de economizar juros ao amortizar valores pontuais ao longo do contrato.
  • Ignorar os seguros obrigatórios no orçamento — o MIP e o DFI são cobrados junto com a parcela e aumentam o valor mensal desembolsado além da parcela "seca" da simulação de juros.

Financiamento imobiliário vs veicular

No financiamento imobiliário (FGTS, SBPE), o SAC é obrigatório para os contratos do SFH (Sistema Financeiro de Habitação). As taxas variam de 8% a 12% a.a., dependendo do banco e do relacionamento do cliente.

No financiamento veicular, a Tabela Price é a mais comum, com prazos de 24 a 60 meses e taxas de 1,5% a 3% ao mês (18% a 36% a.a.). A taxa mensal — e não a anual — costuma ser o dado mais relevante para comparar propostas.

Aviso: Esta calculadora é uma simulação educativa. Não inclui seguros obrigatórios (MIP e DFI), tarifas bancárias, correção pelo INCC ou outros encargos. Consulte a instituição financeira para valores exatos e condições do contrato.

Dúvidas sobre financiamento Price e SAC

Como funciona a Tabela Price?

Na Tabela Price, todas as parcelas têm o mesmo valor ao longo do contrato. As primeiras parcelas são compostas majoritariamente de juros; conforme o tempo passa, a amortização do principal cresce e os juros diminuem. Para um financiamento de R$ 300.000,00 em 30 anos a 10% a.a., a parcela mensal fixa é R$ 2.537,67.

Price ou SAC: qual paga menos juros?

O SAC paga menos juros no total. Para R$ 300.000,00 em 30 anos a 10% a.a.: Price paga R$ 613.562,09 em juros; SAC paga R$ 431.799,70. O SAC economiza R$ 181.762,38. Porém, a 1ª parcela do SAC é maior: R$ 3.225,58 vs R$ 2.537,67 no Price.

Quanto vou pagar de juros num financiamento de R$ 300 mil em 30 anos?

Para um financiamento de R$ 300.000,00 em 30 anos a 10% a.a.: na Tabela Price, você paga R$ 613.562,09 de juros (total pago: R$ 913.562,09); no SAC, paga R$ 431.799,70 de juros (total pago: R$ 731.799,70). Esses valores não incluem seguros obrigatórios (MIP e DFI) nem tarifas bancárias.

Vale a pena amortizar o financiamento?

Em geral, sim — especialmente se a taxa de juros do financiamento for maior que o rendimento líquido de investimentos seguros. Com taxa de 10% a.a. e Tesouro Selic rendendo 14,5% a.a. (líquido ~12,3%), pode ser mais vantajoso investir e manter o financiamento. Calcule sempre comparando a taxa do financiamento com o rendimento líquido do investimento alternativo.

Qual a parcela de um financiamento de R$ 500 mil?

Para R$ 500.000,00 em 30 anos a 10% a.a.: Tabela Price = R$ 4.229,45/mês (fixa); SAC = R$ 5.375,96/mês (1ª parcela, decrescente). Use a calculadora acima para simular outros prazos e taxas.

O que é CET e por que ele é maior que a taxa de juros anunciada?

O CET (Custo Efetivo Total) é sempre maior que a taxa de juros nominal porque soma, além dos juros, o seguro obrigatório (MIP e DFI), a tarifa de avaliação do imóvel, o IOF quando aplicável e outras tarifas administrativas. O Banco Central exige por resolução que todo banco informe o CET em % a.a. antes da contratação, justamente para permitir a comparação real entre propostas. Comparar apenas a taxa nominal esconde parte do custo — sempre peça o CET completo ao banco.

Quais os riscos de um financiamento indexado à TR ou ao IPCA?

O principal risco é o aumento da parcela (ou do saldo devedor) se o indexador subir mais do que o previsto no planejamento. Financiamentos com taxas pós-fixadas atreladas à TR ou ao IPCA têm parcelas e saldo devedor corrigidos periodicamente pela variação desses índices, somados aos juros contratados. Em anos de IPCA alto, o saldo devedor pode até crescer nos primeiros meses antes de começar a cair. Já financiamentos prefixados (como os exemplos desta página) têm taxa e parcela fixas, sem esse risco, mas normalmente partem de uma taxa nominal um pouco mais alta.

Vale a pena comparar bancos só pela taxa de juros anunciada?

Não. Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter CET bem diferentes por causa do seguro obrigatório, da tarifa de avaliação e de outras tarifas embutidas. O jeito correto de comparar é sempre pelo CET em % a.a., que é de divulgação obrigatória, e não pela taxa de juros isolada. Também vale simular o efeito de uma amortização extraordinária em cada proposta, já que bancos diferentes podem cobrar tarifas distintas para amortizar ou quitar o saldo antecipadamente.