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Calculadora CLT vs PJ

Resposta rápida: CLT de R$ 10.000 bruto equivale a R$ 10.558,05/mês total. Para bater isso no PJ, você precisa faturar pelo menos R$ 11.551,11/mês.

Calculadora neutra que inclui FGTS, 13º, férias e todos os impostos PJ.

Exemplo: CLT R$ 10k vs PJ R$ 15k (Simples III)

CLT — equivalente mensal total

R$ 10.558,05

Líquido: R$ 7.677,13

Benefícios: R$ 600,00

13º + férias: R$ 1.480,91

FGTS: R$ 800,00

PJ — líquido mensal

R$ 13.800,00

Faturamento: R$ 15.000,00

DAS (6%): -R$ 900,00

Contador: -R$ 300,00

Simule CLT vs PJ

CLT

PJ

CLT — equivalente mensal total

R$ 10.558,05

líquido + benefícios + 13º + férias + FGTS

PJ — líquido mensal

R$ 13.800,00

após DAS, INSS e contador

PJ vence por R$ 3.241,95/mês

Para PJ valer a pena, você precisa faturar pelo menos R$ 11.551,11/mês

Ver detalhamento completo

CLT

Salário líquido: R$ 7.677,13

Benefícios: R$ 600,00

13º salário (÷12): R$ 639,76

Férias + 1/3 (÷12): R$ 841,15

FGTS (÷12): R$ 800,00

PJ

Faturamento: R$ 15.000,00

DAS / impostos: -R$ 900,00

Contador: -R$ 300,00

Simulação educativa. FGTS considerado como benefício futuro. Não inclui benefícios contratuais adicionais. Consulte um contador para sua situação específica.

O que é a comparação CLT vs PJ

"CLT vs PJ" é a análise que compara duas formas legais de ser contratado no Brasil: como empregado, com carteira assinada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou como pessoa jurídica (PJ), prestando serviço para uma empresa por meio de um contrato civil, geralmente emitindo nota fiscal através de um CNPJ próprio. Essa dúvida aparece com mais frequência para profissionais de tecnologia, consultoria e serviços especializados, quando uma empresa oferece a opção de contratação PJ — às vezes com um valor bruto maior, às vezes apenas trocando o regime para reduzir os encargos que ela mesma paga.

A maioria das comparações erra ao olhar só o número bruto: salário CLT de R$ 10.000 contra faturamento PJ de R$ 15.000, por exemplo, parece uma vitória clara do PJ. O problema é que essa conta ignora tudo o que o CLT garante por lei (FGTS, 13º, férias) e tudo o que o PJ precisa pagar do próprio bolso (impostos, contador, plano de saúde, reserva para férias e emergências). O que realmente importa é o equivalente mensal total de cada regime — e é exatamente isso que a calculadora desta página resolve.

Como funciona o cálculo em cada regime

CLT: salário bruto menos descontos, mais benefícios

No CLT, o ponto de partida é o salário bruto, do qual são descontados o INSS (pela tabela progressiva) e o IRRF (pela tabela progressiva do Imposto de Renda, já descontando o INSS e os dependentes da base de cálculo). O que sobra é o salário líquido depositado todo mês. Mas o pacote real do CLT vai além do líquido: a empresa também deposita 8% do salário bruto no FGTS todo mês (que o trabalhador resgata em situações específicas, como demissão sem justa causa), paga 13º salário (um salário líquido extra por ano, dividido em duas parcelas) e garante férias remuneradas com adicional de 1/3 (30 dias de descanso pagos, mais um terço do salário como bônus). Somando líquido mensal, FGTS, 13º e férias proporcionais, chega-se ao "equivalente mensal total" do CLT — a métrica que deve ser comparada com o líquido do PJ.

PJ: faturamento menos impostos do Simples Nacional

No PJ, o ponto de partida é o faturamento mensal da empresa (o CNPJ do prestador). A maioria dos prestadores de serviço se enquadra no Simples Nacional, regime tributário unificado que substitui vários impostos por uma guia única, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). A alíquota do DAS depende do Anexo da atividade e do faturamento acumulado nos últimos 12 meses — quanto maior o faturamento anual, maior a faixa e, em geral, maior a alíquota. Diferente do CLT, o PJ não tem FGTS, 13º nem férias remuneradas embutidos no contrato: se quiser esse tipo de proteção, precisa construir por conta própria, normalmente reservando uma parte do faturamento todo mês.

Tributação: como o Fisco trata cada regime

Para entender de onde vêm os números da calculadora, vale destrinchar as regras de cada lado. As alíquotas e faixas abaixo são as mesmas usadas no motor de cálculo desta página, e seguem as regras da Receita Federal para IRRF e Simples Nacional.

INSS progressivo (CLT), sobre o salário bruto:

Faixa de salário Alíquota
Até R$ 1.621,007,5%
De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,849%
De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,2712%
De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,5514%
Teto de contribuição (2026)R$ 988,09

O desconto é calculado faixa a faixa (cada pedaço do salário paga a alíquota da sua faixa, não a alíquota final sobre o total), e o valor nunca ultrapassa o teto de contribuição do INSS.

IRRF progressivo (CLT), sobre a base após INSS e dependentes:

Base de cálculo Alíquota Parcela a deduzir
Até R$ 2.824,00Isento
De R$ 2.824,01 a R$ 3.751,057,5%R$ 211,80
De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,6815%R$ 493,28
De R$ 4.664,69 a R$ 5.981,8322,5%R$ 843,41
Acima de R$ 5.981,8327,5%R$ 1.143,50

Desde janeiro de 2026, um redutor (Lei 15.270/2025) é subtraído do IRRF apurado pela tabela acima: ele zera o imposto para quem ganha até R$ 5.000 de salário bruto mensal e reduz parcialmente o imposto entre R$ 5.000 e R$ 7.350. Acima de R$ 7.350 de bruto, o redutor não se aplica e a tabela incide cheia.

Simples Nacional (PJ) — alíquota nominal do DAS por faixa de faturamento anual:

Faturamento acumulado (12 meses) Anexo III Anexo V
Até R$ 180.0006%15,5%
R$ 180.000,01 a R$ 360.00011,2%18%
R$ 360.000,01 a R$ 720.00013,5%19,5%
R$ 720.000,01 a R$ 1.440.00016%20,5%
R$ 1.440.000,01 a R$ 3.600.00021%23%
R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.00033%30,5%

O Anexo III se aplica a serviços de TI, consultoria e profissões liberais quando o "Fator R" (folha de pagamento e pró-labore dividido pelo faturamento dos últimos 12 meses) é igual ou superior a 28% — por isso muitos prestadores PJ definem um pró-labore mínimo, só para garantir o enquadramento no Anexo III em vez do Anexo V, bem mais caro no início da tabela (15,5% contra 6%). Nota: para simplificar, a calculadora aplica a alíquota nominal da faixa diretamente sobre o faturamento — a apuração oficial no PGDAS-D usa uma fórmula com parcela a deduzir que produz uma alíquota efetiva um pouco menor nas faixas intermediárias; para faturamentos dentro da primeira faixa (até R$ 180 mil/ano) o resultado é idêntico ao oficial.

Exemplo completo: CLT R$ 10.000 vs PJ R$ 15.000, passo a passo

CLT — salário bruto R$ 10.000 PJ — faturamento R$ 15.000 (Anexo III)
INSS: teto de faixas = R$ 988,09 DAS (6% sobre R$ 15.000) = R$ 900,00
Base do IRRF: 10.000 − 988,09 = R$ 9.011,91 Contador (referência): R$ 300,00
IRRF: 9.011,91 × 27,5% − 1.143,50 = R$ 1.334,78 (acima de R$ 7.350, sem redutor) Sem FGTS, 13º ou férias — reserva própria recomendada
Líquido CLT: R$ 7.677,13 Líquido PJ: R$ 13.800,00
+ VR/VA, FGTS, 13º e férias proporcionais
Equivalente mensal total: R$ 10.558,05 Líquido final: R$ 13.800,00

Nesse cenário específico, o PJ termina com mais dinheiro no bolso todo mês — mas a diferença de R$ 3.241,95 precisa cobrir, sozinha, a ausência de estabilidade, FGTS, 13º, férias garantidas e plano de saúde que o CLT oferece de forma automática.

Riscos de cada regime

No PJ, o maior risco é a ausência de rede de proteção: não há estabilidade (o contrato pode ser encerrado a qualquer momento, sem aviso prévio nem multa rescisória), não há FGTS acumulando para uma emergência, não há seguro-desemprego se o cliente principal cancelar o contrato, e não há 13º nem férias remuneradas garantidas por lei — se o prestador não trabalhar ou tirar férias, simplesmente não fatura naquele período. Todo esse planejamento (reserva de emergência maior, provisão mensal para os "meses de férias", plano de saúde próprio) fica por conta do prestador.

No CLT, o principal risco é a falta de flexibilidade: o trabalhador não pode deduzir despesas operacionais do Imposto de Renda como um PJ pode (internet, coworking, parte de equipamentos), o desconto de INSS e IRRF é automático e não há como otimizar a carga tributária além de declarar dependentes e contribuições previdenciárias adicionais. Os direitos trabalhistas do CLT — FGTS, 13º, férias, aviso prévio, multa rescisória — estão previstos na legislação trabalhista brasileira, mas em troca o teto de ganho líquido é mais rígido.

Para quem faz sentido cada regime

O CLT tende a fazer mais sentido para quem valoriza segurança de renda, benefícios automáticos (FGTS, 13º, férias, plano de saúde) e previsibilidade — especialmente em momentos de vida com menor tolerância a risco, como financiamento imobiliário recente, filhos pequenos ou pouca reserva de emergência.

O PJ costuma valer a pena para quem consegue negociar um valor bruto bem acima do equivalente CLT (na prática, 40% a 60% a mais é a referência usada por profissionais de tecnologia e consultoria) e está disposto a se planejar sozinho: separar dinheiro todo mês para impostos, contratar plano de saúde, montar uma reserva de emergência maior (o equivalente a 6-9 meses de custo de vida, contra 3-6 meses recomendados para o CLT) e assumir a variação de renda entre contratos.

Como decidir na prática: o ponto de equilíbrio

O jeito mais direto de comparar as duas propostas é calcular o ponto de equilíbrio: quanto o PJ precisa faturar por mês para empatar com o equivalente mensal total do CLT (líquido + benefícios + FGTS + 13º + férias). É exatamente esse número que a calculadora no topo desta página calcula automaticamente — basta informar o salário CLT, os benefícios e o regime tributário do PJ.

Como o pacote de benefícios do CLT muda o ponto de equilíbrio, veja como ele varia mantendo o mesmo salário bruto de R$ 10.000 e o mesmo regime PJ (Simples Nacional Anexo III):

Pacote de benefícios CLT (bruto R$ 10.000) Equivalente mensal CLT PJ precisa faturar
Só salário (sem benefícios) R$ 9.958,05 R$ 10.912,81
Com VR/VA (R$ 600) R$ 10.558,05 R$ 11.551,11
Com VR/VA + plano de saúde R$ 11.058,05 R$ 12.083,03
Com VR/VA + saúde + outros benefícios R$ 11.358,05 R$ 12.402,18

E, para o mesmo faturamento PJ de R$ 15.000/mês, o regime tributário escolhido muda bastante o líquido final — por isso vale confirmar o enquadramento antes de assinar qualquer proposta PJ:

Regime (faturamento R$ 15.000/mês) DAS INSS pró-labore Líquido PJ
Simples Nacional — Anexo IIIFator R ≥ 28% (TI, consultoria, serviços profissionais) R$ 900,00 R$ 0,00 R$ 13.800,00
Simples Nacional — Anexo VFator R < 28% (mesma atividade, folha de pagamento baixa) R$ 2.325,00 R$ 392,60 R$ 11.982,40
Lucro PresumidoFora do teto do Simples ou por opção R$ 1.710,00 R$ 392,60 R$ 12.597,40

Erros comuns ao comparar CLT e PJ

  • Comparar só o valor bruto: colocar salário CLT lado a lado com faturamento PJ sem contar FGTS, 13º e férias do CLT superestima o ganho de virar PJ — às vezes uma proposta que parece 30% maior na verdade fica abaixo do equivalente CLT.
  • Não reservar dinheiro todo mês para o DAS e o IR anual: como PJ, o imposto não é retido na fonte como no CLT — se o prestador gastar o faturamento bruto sem separar a parte do DAS (e, em alguns regimes, do IR devido na declaração anual da pessoa jurídica), fica sem caixa quando a guia vence.
  • Esquecer de contratar plano de saúde: o CLT geralmente inclui plano de saúde sem custo (ou com coparticipação baixa); o PJ precisa contratar um plano individual ou PME, cujo custo (em geral R$ 300 a R$ 900/mês por pessoa) raramente entra na comparação inicial.
  • Não considerar o custo do contador: qualquer CNPJ ativo em Simples Nacional ou Lucro Presumido precisa, na prática, de contabilidade — geralmente obrigatória para entregas fiscais mensais e a declaração anual. Ignorar esse custo (R$ 150 a R$ 500+/mês) infla o líquido PJ na conta de cabeça.

Dúvidas sobre CLT vs PJ

CLT ou PJ: qual paga mais líquido?

Depende da proposta. Para um CLT de R$ 10.000 bruto com VR R$ 600 + FGTS, o equivalente mensal total é R$ 10.558,05. Um PJ faturando R$ 15.000 no Simples Nacional Anexo III com R$ 300 de contador fica com R$ 13.800,00 líquido. Nesse caso, o PJ vence por R$ 3.241,95/mês — mas sem a segurança do CLT.

Qual o equivalente PJ de um salário CLT de R$ 10.000?

Para equiparar ao CLT de R$ 10.000 (equivalente total R$ 10.558,05/mês com benefícios), você precisaria faturar pelo menos R$ 11.551,11/mês no regime Simples Nacional. Isso cobre impostos, contador e a ausência de benefícios como FGTS, 13º e férias.

Vale a pena virar PJ?

Vale a pena se: (1) a proposta PJ for pelo menos 40-60% maior que o salário CLT bruto, (2) você tiver estabilidade de renda garantida, (3) você montar uma reserva de emergência robusta (6-9 meses de custo), (4) você abrir mão de benefícios e os compensar com maior remuneração.

O que é Simples Nacional Anexo III?

O Simples Nacional Anexo III é o regime tributário para empresas de serviços de TI, consultoria, engenharia e profissões liberais com faturamento anual até R$ 4,8 milhões. A alíquota começa em 6% sobre o faturamento bruto (para faturamento até R$ 180k/ano) e vai até 33% na faixa máxima. É o mais vantajoso para freelancers de tecnologia.

Quanto custa o contador para PJ?

A contabilidade para micro-empresa (MEI ou ME) em Simples Nacional custa entre R$ 150 e R$ 500/mês dependendo do porte e localidade. Escritórios online oferecem planos a partir de R$ 80-120/mês. Para Lucro Presumido, o custo sobe para R$ 400-800+/mês. Use R$ 300/mês como referência média.

PJ tem direito a FGTS, 13º ou seguro-desemprego?

Não. Prestador de serviços PJ não tem direito a FGTS, 13º salário, férias remuneradas nem seguro-desemprego, porque a relação é regida por um contrato civil (prestação de serviços), não pela CLT. Quem assume esse risco é o próprio prestador, que precisa reservar todo mês um valor equivalente a esses benefícios para não ficar desprotegido em caso de doença, redução de contrato ou demissão do cliente.

PJ pode deduzir despesas do Imposto de Renda?

Sim, dentro da empresa. Um PJ pode lançar despesas do negócio (internet, coworking, softwares, parte do aluguel, equipamentos) como custo da atividade antes de calcular o lucro, reduzindo a base tributável em regimes como Lucro Presumido ou Real — algo que o CLT não pode fazer, já que o IRRF incide sobre o salário bruto com poucas deduções (dependentes, previdência oficial, pensão alimentícia). No Simples Nacional o benefício é menor, pois o DAS já incide sobre o faturamento bruto.

O que é "pejotização" e ela é permitida?

Pejotização é contratar alguém como pessoa jurídica para exercer, na prática, uma função com todas as características de emprego (subordinação, horário fixo, exclusividade, uso de ferramentas da empresa). A Justiça do Trabalho pode reconhecer vínculo empregatício nesses casos e obrigar a empresa a pagar todos os direitos trabalhistas retroativos com multa. Contratar como PJ é legal quando há autonomia real na prestação do serviço — o risco jurídico é da empresa contratante, mas o prestador pode ficar sem os direitos até uma eventual decisão judicial.