Tesouro Prefixado: quanto rende?
Resposta rápida: Com taxa de 13,5% a.a. prefixada, R$ 10.000 em 24 meses rendem R$ 2.449,91 líquido (11,58% a.a.).
Atualizado: 09/10/2026
O que é o Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado — cujo nome técnico é LTN (Letra do Tesouro Nacional) — é um título público federal em que a taxa de juros é fixada no momento da compra e não muda até o vencimento. Ao investir, você já sabe exatamente qual será o percentual de rentabilidade bruta anual do título, independentemente de o que acontecer depois com a Selic, o CDI ou a inflação. Existe também uma variação chamada Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F), que paga cupons de juros a cada seis meses em vez de concentrar tudo no vencimento — útil para quem quer complementar renda periodicamente, mas menos eficiente para quem busca o máximo de juros compostos no longo prazo.
Os títulos são negociados diretamente pela plataforma do Tesouro Direto, um programa do Tesouro Nacional em parceria com a B3, ou por meio de qualquer corretora habilitada. Cada título tem uma data de vencimento específica (por exemplo, Tesouro Prefixado 2029, Tesouro Prefixado 2032), e o valor mínimo de aplicação costuma ser uma fração do valor de face — atualmente em torno de R$ 30 a R$ 150, dependendo da cotação do dia.
Como funciona a rentabilidade do Tesouro Prefixado
A lógica é simples: a taxa contratada na compra é exatamente o que você recebe se levar o título até o vencimento, ponto final. Se você comprou a 12% ao ano e a Selic despencar para 8% nos anos seguintes, seu título continua rendendo 12% ao ano — essa é a grande vantagem do prefixado quando as taxas caem. Por outro lado, se a Selic subir para 16% depois da sua compra, você continua preso aos 12% contratados, perdendo a oportunidade de rentabilidade maior.
A rentabilidade segue capitalização composta sobre a taxa fixa: o valor investido cresce mês a mês pela taxa mensal equivalente à taxa anual contratada, e os juros incidem também sobre os juros já acumulados nos períodos anteriores. É a mesma matemática usada no simulador desta página — basta informar o valor, a taxa e o prazo para ver a evolução mês a mês.
Vale acompanhar as expectativas de juros futuros antes de decidir o prazo do título. O Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central reúne o histórico da Selic e outras taxas oficiais, útil para entender se o ciclo atual de juros tende à alta ou à queda — informação que ajuda a decidir se vale a pena travar uma taxa prefixada agora ou esperar um momento melhor.
Tributação do Tesouro Prefixado
O Tesouro Prefixado segue a tabela regressiva de Imposto de Renda, comum a todos os títulos públicos e à renda fixa em geral: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota sobre o rendimento.
- 22,5% — resgates em até 180 dias corridos
- 20% — de 181 a 360 dias corridos
- 17,5% — de 361 a 720 dias corridos
- 15% — acima de 720 dias corridos
O imposto incide apenas sobre o rendimento (juros), nunca sobre o valor principal investido, e é retido automaticamente pela corretora no momento do resgate. Se o resgate acontecer em menos de 30 dias corridos após a compra — algo raro no Tesouro Prefixado, mas previsto em lei —, ainda incide IOF regressivo, que zera a partir do 30º dia.
Além do IR, há a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano sobre o valor em custódia, cobrada proporcionalmente e descontada diretamente da sua conta na corretora. Essa taxa é isenta para saldos de até R$ 10.000 aplicados no Tesouro Direto — o que beneficia principalmente pequenos investidores. O simulador desta página calcula o IR sobre o rendimento, mas não desconta a taxa de custódia; para valores acima do limite de isenção, considere reduzir a rentabilidade líquida em aproximadamente 0,20% ao ano.
Riscos e garantias do Tesouro Prefixado
O Tesouro Prefixado é garantido pelo Tesouro Nacional, o que faz do risco de crédito (calote do emissor) praticamente nulo — é considerado o investimento de menor risco soberano do país. O risco relevante aqui não é de crédito, e sim de marcação a mercado: entre todos os títulos públicos, o Tesouro Prefixado é o que mais sofre oscilação de preço no mercado secundário.
Isso acontece porque o preço de um título prefixado é calculado trazendo a valor presente todos os seus fluxos futuros de pagamento, usando a taxa de juros vigente no mercado como referência. Se a Selic e as taxas de juros de longo prazo sobem depois da sua compra, o mercado passa a exigir uma taxa maior para comprar título novo, e o preço do seu título — mais antigo, com taxa mais baixa — cai para compensar. Quem precisar vender antes do vencimento nesse cenário pode ter prejuízo, mesmo tendo comprado um título "seguro" do governo. Quem segura até o vencimento não sofre esse efeito: recebe exatamente a taxa contratada, sem exceção.
Para quem faz sentido o Tesouro Prefixado
O Tesouro Prefixado faz mais sentido para quem acredita que a Selic vai cair no futuro e quer travar agora uma taxa de juros mais alta por vários anos — nesse cenário, além de garantir a rentabilidade contratada, ainda é possível vender o título antes do vencimento com ganho de capital, já que o preço sobe quando as taxas caem. Também é indicado para quem tem um objetivo com data definida (por exemplo, entrada de um imóvel em 2029) e consegue casar o vencimento do título com esse prazo, eliminando o risco de marcação a mercado por completo.
Não é recomendado para reserva de emergência, que exige liquidez imediata e previsibilidade total de valor — para isso, o Tesouro Selic é a escolha adequada, pois seu preço não sofre a mesma volatilidade. Também não é indicado para quem pode precisar resgatar o dinheiro antes do prazo combinado sem saber prever o cenário de juros nesse meio tempo.
Tesouro Prefixado vs Tesouro IPCA+ vs Tesouro Selic
Os três principais títulos públicos do Tesouro Direto têm perfis de risco e indicação bem diferentes:
| Título | Indexador | Risco de marcação a mercado | Mais vantajoso quando |
|---|---|---|---|
| Prefixado (LTN) | Taxa fixa nominal | Alto | Selic tende a cair; objetivo com prazo definido |
| Tesouro IPCA+ | IPCA + taxa fixa real | Alto (mas protege contra inflação) | Aposentadoria e proteção de poder de compra no longo prazo |
| Tesouro Selic | Taxa Selic (pós-fixado) | Muito baixo | Reserva de emergência; prazo indefinido; segurança de preço |
Comparação qualitativa de perfil de risco e indicação. Use o comparador de investimentos para simular valores líquidos lado a lado.
Exemplo prático: quanto rende R$ 20.000 no Tesouro Prefixado
Suponha um investimento de R$ 20.000 no Tesouro Prefixado 2029, com taxa contratada de 12% ao ano, mantido por 3 anos (36 meses) até o vencimento. Aplicando a capitalização composta mês a mês:
- Valor bruto acumulado no vencimento: R$ 28.098,56
- Rendimento bruto (juros): R$ 8.098,56
- Prazo em dias corridos: 1.096 dias — acima de 720 dias, então a alíquota de IR é a menor da tabela (15,00%)
- Imposto de Renda retido: R$ 1.214,78
- Valor líquido recebido no vencimento: R$ 26.883,78
- Rendimento líquido (já descontado o IR): R$ 6.883,78
Ou seja, dos R$ 8.098,56 de juros brutos gerados em 3 anos, o investidor fica com R$ 6.883,78 líquidos após o desconto de R$ 1.214,78 de Imposto de Renda — sem contar a taxa de custódia da B3, que nesse valor (acima de R$ 10.000) incidiria à parte, proporcional ao tempo de aplicação. Use o simulador no topo desta página para testar outros valores, taxas e prazos.
Como investir no Tesouro Prefixado na prática
- Abra conta em uma corretora habilitada a operar no Tesouro Direto (a maioria das corretoras brasileiras oferece isso sem cobrar taxa de administração).
- Acesse a plataforma do Tesouro Direto pelo site da corretora ou diretamente, e escolha entre os títulos "Tesouro Prefixado" disponíveis, cada um com uma data de vencimento diferente.
- Escolha o vencimento alinhado ao seu objetivo — quanto mais próximo o vencimento estiver da data em que você vai precisar do dinheiro, menor o risco de precisar vender no meio do caminho em um momento de preço desfavorável.
- Confirme a taxa contratada no momento da compra — ela é exibida antes da confirmação e vale para todo o período, se mantida até o vencimento.
- Evite resgatar antes do prazo combinado. Se puder esperar até o vencimento, você elimina por completo o risco de marcação a mercado e recebe exatamente a taxa que contratou.
Erros comuns ao investir no Tesouro Prefixado
- Comprar esperando vender em poucos meses com lucro garantido: o preço do Tesouro Prefixado pode cair no curto prazo se as taxas de juros subirem, mesmo sendo um título do governo. Não há garantia de lucro fora do vencimento.
- Usar o Tesouro Prefixado como reserva de emergência: a reserva de emergência precisa de liquidez e previsibilidade de valor a qualquer momento — características do Tesouro Selic, não do Prefixado.
- Não entender que a "taxa contratada" só é garantida no vencimento: antes disso, o valor de mercado do título oscila diariamente e pode estar abaixo do que você pagou.
- Ignorar o cenário de alta de juros ao comprar Prefixado de prazo longo: em títulos com vencimento distante (10, 15, 20 anos), a sensibilidade a mudanças na taxa de juros é ainda maior, e o efeito da marcação a mercado no preço pode ser significativo mesmo em prazos de poucos meses.
Perguntas Frequentes
O que é Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado (LTN) é um título que paga uma taxa de juro fixa, conhecida no momento da compra. Independentemente do que aconteça com a Selic ou a inflação, o investidor recebe a taxa contratada se mantiver o título até o vencimento.
Quando vale a pena investir no Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado é interessante quando o investidor acredita que a taxa Selic irá cair no futuro. Se as taxas caírem, o preço do título sobe (marcação a mercado), gerando ganho de capital antes do vencimento.
Qual o risco do Tesouro Prefixado?
O principal risco é a marcação a mercado: se as taxas subirem, o preço do título cai e o investidor pode ter prejuízo se vender antes do vencimento. Se mantido até o vencimento, a taxa contratada é garantida.
Tesouro Prefixado tem Imposto de Renda?
Sim. O Tesouro Prefixado segue a tabela regressiva de IR: 22,5% para resgates em até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias corridos. O imposto incide apenas sobre o rendimento, nunca sobre o valor investido, e é retido automaticamente pela corretora no momento do resgate ou vencimento.
Qual a diferença entre Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais?
A diferença está na forma de pagamento: o Tesouro Prefixado tradicional paga tudo de uma vez no vencimento, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais antecipa parte da rentabilidade a cada 6 meses, na forma de cupons. Quem escolhe a versão com cupons recebe renda periódica, mas paga IR sobre cada cupom recebido e tem menos efeito dos juros compostos no longo prazo.
Posso perder dinheiro no Tesouro Prefixado?
Sim, se vender o título antes do vencimento em um momento de alta nas taxas de juros. O preço do Tesouro Prefixado no mercado secundário varia todos os dias conforme a expectativa de juros futuros (marcação a mercado). Quem leva o título até a data de vencimento não corre esse risco e recebe exatamente a taxa contratada na compra.
Tesouro Prefixado é melhor que o CDB?
Depende da taxa oferecida e do prazo. O Tesouro Prefixado tem garantia do Tesouro Nacional (risco soberano), enquanto o CDB tem garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição. Compare sempre a taxa líquida de IR de ambos para o mesmo prazo antes de decidir — use o <a href="/comparador">comparador de investimentos</a> para simular lado a lado.