Quanto preciso investir para ter R$ 1.000 por mês de renda passiva?
Na renda fixa, com o CDI a 13,65%, são cerca de R$ 110 mil num CDB de 100% do CDI para tirar R$ 1.000 por mês sem tocar no principal. Para manter o poder de compra, a conta sobe para perto de R$ 184 mil. Veja os cálculos.
Resposta curta: com o CDI em 13,65% ao ano (outubro de 2026), você precisaria de cerca de R$ 110 mil num CDB de 100% do CDI para sacar R$ 1.000 por mês sem diminuir o valor investido. Mas esse número ignora a inflação. Para sacar R$ 1.000 por mês e manter o poder de compra do patrimônio, a conta sobe para cerca de R$ 184 mil. Se os juros caírem, o valor necessário sobe.
Este guia mostra as duas contas — a nominal e a real —, o efeito de cada produto e quanto guardar por mês para chegar lá. Os rendimentos foram calculados com as funções da calculadora de renda mensal do site.
A conta básica: capital × rendimento mensal líquido
A pergunta “quanto preciso para ter R$ 1.000 por mês” é, na verdade:
Capital necessário = renda desejada ÷ rendimento mensal líquido
Para um CDB de 100% do CDI:
Rendimento mensal bruto = (1 + 13,65%)^(1/12) − 1 ≈ 1,072% ao mês
Com IR de 15% (aplicação com mais de 720 dias): 1,072% × 0,85 ≈ 0,911% ao mês
Capital = R$ 1.000 ÷ 0,911% ≈ R$ 109.700
A alíquota faz diferença. Se o dinheiro estiver aplicado há menos tempo, o IR é maior e o capital necessário também:
| Alíquota de IR no resgate | Rendimento líquido mensal | Capital para R$ 1.000/mês |
|---|---|---|
| 15% (mais de 720 dias) | 0,911% | ≈ R$ 109.700 |
| 17,5% (361 a 720 dias) | 0,884% | ≈ R$ 113.100 |
| 22,5% (até 180 dias) | 0,831% | ≈ R$ 120.400 |
A tabela regressiva está explicada em detalhe no guia de IR na renda fixa.
Comparando produtos
Com os mesmos dados de outubro de 2026:
| Produto | Rendimento líquido mensal | Capital para R$ 1.000/mês |
|---|---|---|
| CDB 100% CDI (IR 15%) | 0,911% | ≈ R$ 109.700 |
| LCI ou LCA 90% CDI (isenta) | 0,970% | ≈ R$ 103.100 |
| Tesouro Selic (IR 15%, antes da custódia) | ≈ 0,911% | ≈ R$ 109.700 |
| Poupança (0,5% a.m. + TR) | 0,662% | ≈ R$ 151.000 |
Observações:
- LCI e LCA saem na frente por serem isentas de IR para pessoa física, mas têm prazo mínimo de 6 meses (títulos atrelados ao CDI) e muitas só liberam o dinheiro no vencimento. Para renda mensal, é preciso escalonar vencimentos.
- Tesouro Selic tem taxa de custódia de 0,20% ao ano acima de R$ 10 mil. Em R$ 110 mil, isso tira cerca de R$ 200 por ano, ou R$ 17 por mês.
- Poupança exige cerca de 37% mais capital porque, com a Selic acima de 8,5%, rende só 0,5% ao mês + TR. A regra está em como funciona o rendimento da poupança.
O problema da inflação
Se você sacar todo o rendimento, o capital continua nominalmente igual — R$ 110 mil daqui a 10 anos —, mas compra menos. Com a inflação de 4,58% ao ano (IPCA acumulado em 12 meses, último dado disponível no Banco Central em outubro de 2026), em 10 anos R$ 110 mil valeriam cerca de R$ 70 mil em dinheiro de hoje, e os R$ 1.000 mensais comprariam o equivalente a uns R$ 640.
Para que a renda acompanhe a inflação, só dá para sacar o juro real:
Juro real líquido ≈ (1 + 13,65% × 0,85) ÷ (1 + 4,58%) − 1 ≈ 6,72% ao ano ≈ 0,543% ao mês
Capital = R$ 1.000 ÷ 0,543% ≈ R$ 184.000
Essa é a conta mais honesta para quem quer renda “para sempre”. Ela também é sensível aos juros: um juro real de 6,7% ao ano é alto para os padrões históricos do Brasil. Com um juro real de 4% ao ano, o capital necessário seria de R$ 300 mil; com 5%, R$ 240 mil; com 6%, R$ 200 mil. Quem planeja para décadas costuma usar uma taxa real mais conservadora do que a do momento.
E se os juros caírem?
O CDI acompanha a Selic, que muda conforme as decisões do Copom. Uma simulação com o CDI em 10% ao ano:
Rendimento mensal bruto = (1,10)^(1/12) − 1 ≈ 0,797%
Líquido (IR 15%) ≈ 0,678%
Capital para R$ 1.000/mês ≈ R$ 147.500
Ou seja, a mesma renda nominal exigiria cerca de 34% mais capital. Quem trava parte da carteira em títulos prefixados ou atrelados ao IPCA protege a taxa, mas aceita oscilações de preço antes do vencimento (veja o Tesouro Direto pode perder dinheiro?).
Quanto guardar por mês para chegar lá
Para acumular os R$ 184 mil (em valores de hoje), com juro real de cerca de 6,7% ao ano e aportes corrigidos pela inflação:
| Prazo | Aporte mensal necessário (em valores de hoje) |
|---|---|
| 10 anos | ≈ R$ 1.092 |
| 15 anos | ≈ R$ 605 |
| 20 anos | ≈ R$ 374 |
Se a meta for R$ 300 mil (juro real de 4% na fase de saque), com o mesmo juro real na fase de acumulação, os aportes ficariam em cerca de R$ 1.780, R$ 987 e R$ 610 por mês, respectivamente. As contas usam a fórmula de valor futuro de uma série de aportes: aporte = meta × i ÷ ((1 + i)^n − 1), com i = juro real mensal e n = número de meses. Para simular outras metas, use quanto investir por mês.
Como transformar o investimento em renda na prática
- Separe a reserva de emergência. A renda passiva não deve depender do mesmo dinheiro que cobre imprevistos. Veja reserva de emergência.
- Use produtos com liquidez para os saques. Um CDB de liquidez diária ou o Tesouro Selic permite resgatar R$ 1.000 todo mês. Cada resgate paga IR sobre o rendimento daquela parte, pela alíquota do prazo em que ela ficou aplicada.
- Escalone LCI/LCA e CDBs com vencimento. Títulos com prazo costumam pagar mais. Uma “escada” de vencimentos mensais ou trimestrais combina taxa melhor com fluxo de caixa.
- Respeite o limite do FGC. Até R$ 250 mil por CPF por instituição. Acima disso, divida entre bancos ou use títulos públicos.
- Reinvista a parte da inflação. Se a meta é manter o poder de compra, saque só o juro real e deixe o resto aplicado.
Erros comuns
- Usar a taxa bruta. Um CDB de 100% do CDI não rende 1,07% ao mês para você, mas 0,83% a 0,91%, dependendo do IR.
- Ignorar a inflação. Sacar todo o rendimento nominal faz a renda real cair ano após ano.
- Concentrar tudo num banco. Acima de R$ 250 mil, o excedente fica fora do FGC.
- Supor que os juros de hoje vão durar. O CDI de 13,65% é alto. Planejar com uma taxa menor dá margem de segurança.
- Esquecer o IR de cada resgate. Na renda fixa, o IR é retido na fonte em cada saque, pela alíquota do prazo daquela parte do dinheiro.
Resumo
| Pergunta | Resposta (out/2026) |
|---|---|
| Capital para R$ 1.000/mês nominal em CDB 100% CDI | ≈ R$ 110 mil |
| Mesmo objetivo em LCI/LCA 90% CDI | ≈ R$ 103 mil |
| Mesmo objetivo na poupança | ≈ R$ 151 mil |
| Capital para R$ 1.000/mês preservando o poder de compra | ≈ R$ 184 mil |
| Com juro real conservador de 4% a.a. | R$ 300 mil |
Fontes
- Banco Central do Brasil, SGS: séries 12 (CDI), 13522 (IPCA 12 meses), 7811 (TR), consultadas em 20/10/2026
- Receita Federal — tabelas de 2026 (IR na renda fixa)
- Tesouro Direto — regras e regulamento (custódia)
- FGC — limites de cobertura
Simulação educativa. Não considera custos de corretagem, mudanças na legislação ou variações futuras de juros e inflação.
Perguntas frequentes
Quanto preciso ter investido para receber R$ 1.000 por mês?
Com o CDI em 13,65% ao ano (outubro de 2026), cerca de R$ 110 mil num CDB de 100% do CDI tributado a 15%, ou cerca de R$ 103 mil numa LCI de 90% do CDI, sacando só o rendimento. Na poupança, seriam cerca de R$ 151 mil.
Esse valor mantém o poder de compra?
Não. Se você gastar todo o rendimento, o principal perde valor com a inflação. Para sacar R$ 1.000 por mês e ainda corrigir o principal pelo IPCA (4,58% em 12 meses), seriam necessários cerca de R$ 184 mil no mesmo CDB, considerando o juro real de outubro de 2026.
Quanto preciso guardar por mês para chegar lá?
Para acumular R$ 184 mil em valores de hoje com um juro real de cerca de 6,7% ao ano, seriam cerca de R$ 1.092 por mês durante 10 anos, R$ 605 por mês durante 15 anos ou R$ 374 por mês durante 20 anos, com os aportes corrigidos pela inflação.
Renda fixa paga renda mensal?
A maioria dos CDBs e do Tesouro Selic não paga juros mensais: o rendimento acumula. Para ter renda, você resgata todo mês o valor desejado. Cada resgate paga IR conforme o prazo daquela parte do dinheiro.
E se os juros caírem?
O capital necessário sobe. Com o CDI em 10% ao ano, por exemplo, o rendimento mensal líquido de um CDB de 100% do CDI cai para cerca de 0,68% e seriam necessários cerca de R$ 147 mil para R$ 1.000 por mês, em vez de R$ 110 mil.